
Segurança contra incêndio não é detalhe — é requisito legal e condição para qualquer edificação funcionar. Em Navegantes, Itajaí, Balneário Camboriú e Penha, o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina exige projeto de prevenção e combate a incêndios (PPCI) para a maioria das edificações comerciais, industriais e multifamiliares. Sem ele, não há AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), sem AVCB não há alvará de funcionamento, e sem alvará a obra fica irregular — sujeita a multas, interdição e responsabilidade civil.
Mas o PPCI não é apenas uma exigência burocrática. Um projeto bem dimensionado salva vidas, protege patrimônio e reduz o custo de seguros. Este guia explica o que é o projeto de prevenção e combate a incêndios, quais normas se aplicam, como é o processo no Corpo de Bombeiros, quais sistemas compõem o projeto e quais são os erros mais comuns que comprometem a aprovação.
O que e o projeto de prevencao e combate a incendios?
O projeto de prevenção e combate a incêndios (PPCI) é o documento técnico que define os sistemas de proteção passiva e ativa de uma edificação contra incêndio. Ele é elaborado por engenheiro civil ou de segurança do trabalho com habilitação específica, e envolve o dimensionamento de todos os elementos que compõem a proteção contra incêndio: rotas de fuga, extintores, hidrantes, sprinklers, detectores, iluminação de emergência, sinalização e portas corta-fogo.
Na prática, o PPCI responde a questões como: quantas rotas de fuga a edificação precisa? Qual o número e o tipo de extintores para cada área? A edificação exige hidrantes externos? Sprinklers são obrigatórios? Qual o dimensionamento da iluminação de emergência? E como garantir que, em caso de incêndio, os ocupantes consigam sair com segurança e o fogo possa ser combatido antes de se alastrar?
O projeto de prevenção e combate a incêndios é o documento que define como uma edificação protege seus ocupantes e seu patrimônio do fogo.
Quando o projeto e obrigatorio?
O projeto de PPCI é exigido pela legislação estadual e pelas normas do Corpo de Bombeiros para diferentes tipos de edificação:
- Edificações comerciais — lojas, escritórios, restaurantes, clínicas, supermercados e qualquer atividade que exija alvará de funcionamento
- Edificações industriais — fábricas, galpões logísticos, armazéns e indústrias de qualquer porte
- Edificações multifamiliares — prédios de apartamentos com mais de 2 pavimentos ou com 3 ou mais unidades
- Edificações de uso coletivo — escolas, hospitais, igrejas, centros comerciais e condomínios
- Edificações com risco especial — locais com grande concentração de pessoas, materiais inflamáveis ou processos industriais com risco de explosão
- Reformas que alteram o leiaute — mudanças de uso, ampliação de área ou alteração das rotas de fuga exigem novo projeto ou atualização do PPCI
- Renovação de AVCB — o AVCB tem validade e precisa ser renovado; na renovação, o Corpo de Bombeiros verifica se os sistemas de prevenção estão adequados
No litoral catarinense, a combinação de edificações comerciais na orla, condomínios residenciais altos e galpões logísticos no entorno do Porto de Navegantes cria uma demanda constante por projetos de PPCI. Cada tipo de ocupação exige um dimensionamento específico, e o Corpo de Bombeiros de SC é rigoroso na verificação.
Sistemas de protecao passiva contra incendio
A proteção passiva são os elementos construtivos que impedem a propagação do fogo e garantem a integridade estrutural durante um incêndio. O projeto deve definir:
- Resistência ao fogo das paredes, pilares, vigas e lajes — cada elemento deve resistir ao fogo por um tempo mínimo (REI 30, REI 60, REI 90 ou REI 120 minutos, conforme o tipo da edificação)
- Rotas de fuga — corredores, escadas e saídas de emergência dimensionados para a carga de pessoas da edificação, com larguras mínimas e distâncias máximas até a saída mais próxima
- Portas corta-fogo — portas que separam setores de incêndio e impedem a propagação entre pavimentos ou entre áreas da edificação
- Vedações verticais e horizontais — selagens em pendentes de escada, plaster em forros e vedação de penetrações tubulares e elétricas para impedir a passagem de fumaça e fogo
- Bancos de reserva — áreas seguras onde os ocupantes podem aguardar o resgate quando a evacuação completa não é possível (edificações altas)
Sistemas de proteção ativa contra incêndio
A proteção ativa são os sistemas que detectam, alertam e combatem o fogo ativamente. O projeto dimensiona cada sistema conforme o risco da ocupação:
Extintores de incêndio
Extintores portáteis e sobre rodas são a primeira linha de defesa. O projeto define o tipo (pó químico, CO2, espuma, água pressurizada), a quantidade e a localização conforme a ABNT NBR 12684 e a norma do Corpo de Bombeiros. Cada tipo de extintor é adequado para uma classe de incêndio (A, B, C ou K).
Hidrantes externos
Hidrantes de coluna são as conexões externas que permitem ao Corpo de Bombeiros conectar mangueiras e abastecer água para combater o fogo. O projeto dimensiona a rede de hidrantes conforme a área da edificação, o número de pavimentos e a distância entre hidrantes (máximo de 40 metros entre si, conforme norma do CB-SC).
Sprinklers (chuveiros automáticos)
Sistema de tubulação com chuveiros que se abrem automaticamente quando a temperatura atinge um nível crítico. É obrigatório para galpões logísticos, indústrias, hospitais, centros comerciais e edificações com grande carga de incêndio. O dimensionamento segue a ABNT NBR 10856 e a norma do Corpo de Bombeiros.
Sistema de detecção e alarme
Detectores de fumaça, de calor ou de chama acoplados a centrais de alarme que emitem alertas sonoros e visuais para a evacuação. É obrigatório em edificações de uso coletivo, indústrias e comércios com área superior a 500 m².
Iluminação de emergência
Luminárias que se acendem automaticamente na falha de energia, iluminando rotas de fuga e saídas de emergência. O projeto dimensiona o número de luminárias, a autonomia mínima (geralmente 60 minutos) e a iluminação mínima em lux conforme ABNT NBR 5418 e a norma do CB-SC.
Sinalização de emergência
Placas indicando rotas de fuga, extintores, hidrantes e equipamentos de proteção individual. A sinalização deve ser plástica (refletiva), posicionada em altura adequada e visível em condições de piso fumegante.
Normas tecnicas que orientam o projeto
O projeto de PPCI deve seguir as normas da ABNT, as instruções técnicas do Corpo de Bombeiros de SC e as referências internacionais quando aplicáveis:
- ABNT NBR 10856 — Sprinklers automáticos para combate a incêndio
- ABNT NBR 12684 — Extintores de incêndio portáteis: seleção, localização e instalação
- ABNT NBR 5418 — Iluminação de emergência em edificações
- ABNT NBR 5419 — Proteção de edificações e áreas contra descargas atmosféricas (SPDA)
- ABNT NBR 13852 — Chuveiros automáticos para combate a incêndio
- IT 23/2019 — Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros de SC sobre proteção contra incêndio
- IT 24/2019 — Instrução Técnica do CB-SC sobre sistemas de detecção e alarme
- IT 25/2019 — Instrução Técnica do CB-SC sobre sistemas de seção de incêndio (portas corta-fogo)
- Lei Estadual 14.675/09 — Lei do Meio Ambiente de SC (inclui segurança contra incêndio no licenciamento)
- NFPA 13, 14, 20 — referências internacionais para sprinklers, hidrantes e bombas (quando aplicável)
Como e o processo no Corpo de Bombeiros de SC
O processo de aprovação do PPCI junto ao Corpo de Bombeiros de SC segue etapas definidas:
- 1. Consulta de viabilidade — verificação do tipo de edificação e das exigências aplicáveis ao risco da ocupação
- 2. Elaboração do projeto — engenheiro com habilitação dimensiona os sistemas de prevenção e combate a incêndio conforme as normas
- 3. Protocolo do projeto — envio do projeto completo ao Corpo de Bombeiros via sistema eletrônico, com ART do responsável técnico
- 4. Análise técnica — o CB-SC analisa o projeto e pode solicitar complementações (exigências técnicas)
- 5. Aprovação do projeto — após adequações, o projeto é aprovado e liberado para execução
- 6. Execução dos sistemas — instalação dos equipamentos conforme o projeto aprovado
- 7. Vistoria do CB-SC — inspeção técnica que verifica se os sistemas foram executados conforme o projeto
- 8. Emissão do AVCB — documento que comprova a conformidade da edificação com as normas de segurança contra incêndio
O AVCB tem validade de 5 anos para edificações de risco normal e 2 anos para edificações de risco especial. A renovação exige nova vistoria do Corpo de Bombeiros.
Custos do projeto e instalacao
O custo do projeto de PPCI varia conforme o porte da edificação, o tipo de ocupação e os sistemas exigidos. Valores de referência para o litoral catarinense em 2026:
- Projeto de PPCI (residencial multifamiliar): R$ 3.000 a R$ 10.000
- Projeto de PPCI (comercial/industrial): R$ 5.000 a R$ 25.000
- Extintores de incêndio: R$ 300 a R$ 1.500 por unidade (conforme tipo e capacidade)
- Hidrantes e rede de hidrantes: R$ 2.000 a R$ 15.000 por hidrante (incluindo rede e instalação)
- Sistema de sprinklers: R$ 50 a R$ 150 por m² (incluindo projeto, material e instalação)
- Sistema de detecção e alarme: R$ 15 a R$ 50 por m²
- Iluminação de emergência: R$ 200 a R$ 800 por ponto
- Vistoria e emissão do AVCB: R$ 1.000 a R$ 5.000
- Renovação do AVCB: R$ 500 a R$ 3.000 (conforme porte)
É importante considerar que o custo dos sistemas de prevenção é significativamente menor do que o custo de um incêndio — que pode incluir perda total do patrimônio, multas, processos e, no pior caso, perda de vidas.
Particularidades do litoral catarinense
A região de Navegantes, Itajaí, Balneário Camboriú e Penha tem características que influenciam o projeto de PPCI:
- Maresia — a proximidade com o mar acelera a corrosão de equipamentos metálicos; extintores, hidrantes e sprinklers devem ser especificados com proteção anticorrosiva
- Temperatura e umidade — o clima litorâneo úmido pode afetar detectores e centrais de alarme; equipamentos devem ter grau de proteção adequado
- Altura dos edifícios — Balneário Camboriú e Navegantes têm edifícios altos; PPCI de edifícios altos exige sistemas mais robustos, incluindo bancos de reserva e hidrantes internos
- Atividade portuária — galpões logísticos e armazéns no entorno do Porto de Navegantes armazenam materiais de alto valor e alto risco; sprinklers e detecção são obrigatórios
- Turismo e orla — restaurantes, lojas e hotéis na orla têm alta concentração de pessoas; o PPCI deve considerar evacuação rápida e rotas de fuga amplas
- Fiscalização — o Corpo de Bombeiros de SC é rigoroso na verificação; projetos mal dimensionados ou equipamentos inadequados são reprovados na vistoria
Erros comuns em projetos de prevenção e combate a incêndio
Evitar estes erros é fundamental para garantir a aprovação do projeto e a segurança da edificação:
- Elaborar o PPCI sem compatibilização com o projeto arquitetônico — rotas de fuga que não existem no layout, extintores em locais inacessíveis e sprinklers conflitando com forros
- Dimensionar extintores apenas pela área — o dimensionamento deve considerar o tipo de risco (classe de incêndio) e não apenas a metragem
- Ignorar a renovação do AVCB — o AVCB tem validade; renovar tardiamente pode gerar multas e interdição
- Instalar equipamentos não certificados — o Corpo de Bombeiros exige equipamentos com certificação do INMETRO; equipamentos genéricos são reprovados
- Não dimensionar a reserva d'água — hidrantes e sprinklers precisam de reserva d'água com capacidade mínima definida pelo CB-SC
- Omitir a iluminação de emergência — muitos projetos esquecem de dimensionar pontos de emergência; a vistoria verifica cada luminária
- Não considerar a evacuação de pessoas com mobilidade reduzida — rotas de fuga devem ser acessíveis e bancos de reserva devem existir em edificações altas
- Deixar o PPCI para o final da obra — o ideal é integrar o PPCI desde o projeto arquitetônico; incluir sistemas no final gera retrabalho e custo adicional
AVCB: o que é, validade e como renovar
O AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) é o documento que comprova que a edificação atende as normas de segurança contra incêndio. Sem ele, a edificação não pode funcionar legalmente.
- Validade: 5 anos para edificações de risco normal; 2 anos para edificações de risco especial (indústrias, hospitais, arsenais)
- Renovação: exige nova vistoria do Corpo de Bombeiros, verificação de todos os sistemas e emissão de novo certificado
- Consequências de não renovar: multa, interdição, impossibilidade de renovar alvará de funcionamento, perda de cobertura de seguro
- Transferência: quando o imóvel é vendido, o AVCB pode ser transferido para o novo proprietário, desde que os sistemas estejam em dia
- Retrofit ou reforma: alterações que modificam o leiaute, o uso ou a carga de incêndio exigem atualização do PPCI e novo AVCB
Perguntas frequentes sobre projeto de prevenção e combate a incêndios
Minha residência unifamiliar precisa de PPCI? Em geral, residências unifamiliares de pequeno porte são dispensadas de PPCI completo. Porém, edificações com mais de 2 pavimentos ou com área superior a 500 m² podem exigir projeto simplificado — consulte o Corpo de Bombeiros.
Quanto tempo leva para aprovar o PPCI? O processo de aprovação no Corpo de Bombeiros de SC leva de 30 a 90 dias, dependendo do porte da edificação e do tempo de análise. A instalação dos sistemas leva de 15 a 60 dias após a aprovação.
Posso instalar os equipamentos eu mesmo? Equipamentos como extintores e sinalização podem ser instalados por qualquer pessoa, mas sistemas como hidrantes, sprinklers e detecção devem ser executados por empresas habilitadas e com ART de engenheiro responsável.
O PPCI é cobrado pela prefeitura? A prefeitura não cobra o PPCI diretamente, mas exige o AVCB para emitir alvará de funcionamento. Sem AVCB, o imóvel fica irregular perante a prefeitura e o Corpo de Bombeiros.
Quanto custa a renovação do AVCB? A renovação custa entre R$ 500 e R$ 3.000, dependendo do porte da edificação e dos sistemas envolvidos. O custo inclui vistoria, verificação e emissão do novo certificado.
Projeto de prevenção e combate a incêndios com a Regê Engenharia
A Regê Engenharia atua em Navegantes e em todo o litoral catarinense com projetos de prevenção e combate a incêndios (PPCI), obtenção de AVCB e renovação de certificados. Nossa equipe dimensiona os sistemas de proteção passiva e ativa, elabora o projeto técnico conforme as normas do Corpo de Bombeiros de SC e acompanha todo o processo — da aprovação do projeto à vistoria final.
- Projeto de PPCI completo: extintores, hidrantes, sprinklers, detecção, iluminação de emergência e sinalização
- Compatibilização com projeto arquitetônico e de instalações
- Obtenção de AVCB junto ao Corpo de Bombeiros de SC
- Renovação de AVCB com verificação de todos os sistemas
- ART no CREA-SC para todos os serviços técnicos
- Atendimento em Navegantes, Itajaí, Balneário Camboriú, Penha e região
Se você está construindo, reformando ou precisa renovar o AVCB do seu imóvel, entre em contato com a Regê Engenharia. Vamos dimensionar os sistemas de prevenção corretos, elaborar o projeto e garantir que sua edificação esteja segura e legal — porque segurança contra incêndio não é custo, é investimento.



